sexta-feira, 14 de outubro de 2011

                            Epitáfio

                                                           
Além do céu, além do inferno .
Cravo meu epitáfio no peito do destino
Simples, vago, fruto eterno.
Tragicamente  em seu conto fino,
da rotina onde se traça o rubro inferno
preso entre as feridas dos sonhos
Tamanhos, porém corroídos,
Fracos , breves e assim tristonhos.
Mas sonhos são externos.

O tempo nos aproxima,
e em seu ato , nos reduz
a um último poema de uma só rima.
De mãos  e olhos, na luz
da flor de lis e versos .
Sina longa que conduz
a esse âmago de presságios perversos.

Ontem , Hoje e Amanhã.
Apenas mentiras de calendário
que apesar de você, se renovam
e criam a cada hora um novo cenário.

Versos mudos que emergem em mim
e buscam no silêncio seu complemento.
Vazio que pernumbra a sorte;
cala o poeta que escuta atento
e o condena à uma única morte.
À ouvidos surdos, poesias tem fim
na esperança de seu acalento.

Descrevo então a minha lápide:
Na  solidão do que se passa
que viria ofertar-me
quando a noite já vai fria.
Então irreversível faça
a rosa preta, tão sombria
que me aspira, expirante, afundo
e não se estreita ao sentimento do mundo.
Amanhã, nunca mais.

sábado, 24 de setembro de 2011

               Rio das palavras


 Surdo, subterrâneo e pálido, o rio das palavras.
 Se cala no gesto cálido e me percorre lentamente em seu curso.
 Devora as flores em margens, e me repudia em acalento.
Trazendo em si o gosto, triste cálice.
 Tomando à base o temor da asfixia muda;
 dissolve expectativas no adeus da barca
que nas águas desse silêncio embarca.

O tempo corre ao rumor do frio.
Segue a vida em seu rumo incerto.
Surdo, subterrâneo e impiedoso rio,
tende à mim algum tresvario certo.
Amor sem margens onde a lua rompe.
Diz-me adeus antes que para sempre
,não repara o espasmo ostil
preso no êxtase do meu ventre.

O olhar despede mas chama:
Grita, cala, pensa, teme.
E no leito ,o  refrigério clama:
Preto, branco, vento, ruína.
Perpassa, se fixa, treme.
Transpassa a névoa fina
e abarca minha infelicidade.

Surdo, subterrâneo e inexorável rio.
Faz palpitar o coração calado
na penumbra do vazio,
faz-se vivo o desejo alado.
E então derramo meu pranto
no pesar de seu contentamento;
mostrando atento o amor tanto
e abraçando esse meu sofrimento.

Quem sabe a solidão,
fim de quem se ama,
deixarei que morra em mim.
Como na escuridão
que morre ao amanhecer
e nasce inerte no crepúsculo.
Mudo, incompleto e impiedoso amor.
Que lamenta a perda ao fim de tudo.




 ( Jéssica Geovanna )

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

                                             O sentimento do mundo
                                                              (Jéssica Geovanna )

                       Apenas duas pessoas. O peso da história traçada em anos. Vontades enfrentando lembranças. Que será do passado? Minha ânsia não o clama.  Os sentimentos estão opostos e escondidos naquela parte da lua em que não se vê; e a noite dissolve a calma. Não enxergo  o desalento de outrora, e deveras nem o sinto ... Talvez por guardar em mim agora a nobreza de algo oculto.
                     Poderia amar-te assim, quem sabe? Dentro da eternidade e por cada instante ; me fazer presente na saudade.  Então me deixe rir meus risos e derramar meu pranto ao seu pesar ou  refrigério; impondo de bom grado seus vícios pelos meus apelos. E faça da forma mais sincera. O amor começará na compulsão da simplicidade simplesmente.
                    No entanto a tua presença é qualquer coisa... como a luz, a vida e o vácuo que se fez teus olhos.O mistério da madrugada em outra causa se desloca; mesclando-se à algo que de tão agradável furta meu pensar;  o direciona a ti. Rouba tudo o que eu não sei, e me busca devagar.
                   Entenda que de vez em quando não é o bastante, e que eu poderia descrever-te em apenas um sorriso. Sendo assim te confesso a angustia:  procurando seus lábios ,sem perceber, espero o beijo. De bocas unidas a compor; convertendo as duas pessoas em algo bem maior que a teoria de universos contidos.  Contornando meu tresvario, me faz ter mais certezas de certeza nenhuma.
                   Impossível ignorar a inquietude de não possuir-te por inteiro. Ainda mais agora que  tudo vai perecendo ...tudo o que não está ao seu redor. Perceba então que a complexidade pode perder o efeito e assim, eu sonharei meus sonhos com você.






                              
                                                   I just wanted to be special for you.

domingo, 18 de setembro de 2011

   Então , você pode ficar parado ou lutar pelo seu futuro ...







Use a internet para algo que não vá satisfazer ao colapso capitalista nem diminuir ainda mais a sua capacidade de raciocinar ... É estúpido esperar que o mundo mude e não fazer nada para que isso aconteça.


-Divulgue-

sábado, 3 de setembro de 2011

                                Significado..


Eu sei que todos os dias quando eu acordo, Deus me dá um sorriso e me diz: "Ei, estou te dando a chance de tentar de novo! Vá em frente, sem medo, eu to aqui com você, não vou te abandonar."


( Autor Desconhecido )

terça-feira, 30 de agosto de 2011

                                                                                                                     Oco

             Olho para os lados mas não te vejo;  relembrando as palavras, também não procuro. Há algo encerrado em mim, algo que me faz sentir cada vez mais repleta de vácuo. De coisas que passam à memórias que ficam; andei me escondendo na minha própria mente e agora nem mais de mim consigo gostar,  admirar-me tampouco. Não há o que possa surpreender mais do que a força que descubro  todos os dias, a cada dia mais. Ultrapassando limites e transpassando espaços. A cada passo que dou é como se as paredes desse labirinto ficassem mais largas, talvez mais altas... não há como identificar.
             As lágrimas secas não explicam a dor, como também não a distingue da raiva; e secas nada mais podem além do desejo de existir pelo rosto. Que pena! Tão belas são as lágrimas; que nascem na porta da alma, acariciam a pele,  e depois,  morrem nos lábios. Tornar meus delírios em trajetórias incompreensíveis vem se tornando um hábito saudável. Assumo a culpa, só assim a vida consegue tocar minha tolerância e esquecer a impaciência, aumentando  mais mil léguas de caminho não andado.
             Percorro os traços do meu colapso e distorço minhas vontades. Pretensões falam bem mais alto que distúrbios, o que torna a ambição em mim , no mínimo, considerável. Quero tudo de uma vez, agora e desse jeito. Preciso liberar todas essas toneladas das costas ,para então recompor o que foi danificado, e inerte é impossível tentar. Foi duro ter de ver o melhor de mim ser rejeitado; e mesmo assim não fui atingida. Ninguém consegue enxergar o que é impossível de se entender. Quem sabe por isso o meu rio interno tenha secado; o que me obriga a pensar em algumas notórias incapacidades. Pode ser extremamente excitante ou absurdamente perigoso, depende de como eu queira jogar.
               Extremo, como a cada vez que volto a me bloquear, tenho menos medo do que possa acontecer e mais cautela no que possa fazer. A verdade é que está se tornando um vício; controlar e manipular da forma mais imperceptível possível. Princípios na arte da prática. Adoro o fato de saber não sentir, sem perder o prazer... 




Preservar algo que sinto não se trata de sentimentalismo, mas refere-se à noção que tenho de uma incapacidade própria de não conseguir sentir nada ... por ninguém e em momento algum... Relaciona as situações somente ao medo de atribuir-me novamente esse vício repugnante de manipular tudo..








( Jéssica Geovanna )

sábado, 6 de agosto de 2011

                                                          Confabular
                                        (Jéssica Geovanna )


  Uma vez mon cherry,

                    Eu não costumava ser manipulada. Sensação térmica; é como num sonho. Névoas de luz, cor âmbar de rosa pálido. Estou te descobrindo além das vinte e quatro horas; e nesse dias, as chuvas quentes vêm correndo de volta pra mim em milhas de ar na noite sem vento. Verão.
                    Momentos secretos compartilhados nas tantas madrugadas sem sono; distantes de qualquer quietude, onde as palavras macias são faladas. Tão longe de mim, ou quem sabe tão perto. Em toda parte, a toda hora; é como se você só existisse no fundo do meu coração. Porque então tudo parece  bem quando você está por perto?
                    A positividade contorna o nosso ponto de atração; se transforma em muito mais do que puro magnetismo. Continuo me apaixonando pelo mesmo cara; e talvez eu só saiba disso quando as estrelas soltam-se do céu a cada pensamento invadido. O que mais me irrita é que você realmente nunca compreenderá o que aconteceu comigo, e eu sempre estarei em dúvida. Então, segure bem a minha mão e vamos mudar toda a realidade; faz parte do instinto. Só assim ninguém nunca vai nos atingir.
                     Lembro de todas as coisas que costumávamos dizer ; acabo ficando nervosa quando penso no passado. É como não encontrar mais o lado escuro de mim mesma. Você entende? Talvez só não me conforme. Lá de cima, as coisas pararam de despencar, e acabaram por deixar meu mundo um tanto organizado. A decisão foi tomada: chega de lutas por dentro. Você nunca deveria ter feito isso.
                      Tão notória a ausência do sentido . Coisas que ficam para trás em um segundo e que  tornam  evidente a complexidade de cada momento. Descontente com o vazio na minha cama; aquele com suas medidas exatas! Não se é possível esquecer de algo tão único e tão diferente a ponto de ser nosso, e apenas nosso. Tente ver como eu vejo, ou quem sabe, veja como realmente é e não como você quer que seja. Quem sabe assim te agrade... quem sabe assim a reciprocidade volte a ser usada. Deve haver algo que ainda não foi vivido, ou melhor, milhões de coisas ainda não foram vividas. Sonharei meus sonhos com você, a pena é que eu não te tenho.
                       Nós encontraremos outro final; só não suponha o que você não sabe. Então seremos o amor que temos e não essa falsa realidade. Sempre pus minhas cartas na mesa, assim nunca poderão dizer que fui instável. O que você faria se estivesse no meu lugar agora?


        Pois bem,
          continuo te amando, e se por acaso lhe negar, não acredite.
   Sinto sua falta...