sábado, 24 de setembro de 2011

               Rio das palavras


 Surdo, subterrâneo e pálido, o rio das palavras.
 Se cala no gesto cálido e me percorre lentamente em seu curso.
 Devora as flores em margens, e me repudia em acalento.
Trazendo em si o gosto, triste cálice.
 Tomando à base o temor da asfixia muda;
 dissolve expectativas no adeus da barca
que nas águas desse silêncio embarca.

O tempo corre ao rumor do frio.
Segue a vida em seu rumo incerto.
Surdo, subterrâneo e impiedoso rio,
tende à mim algum tresvario certo.
Amor sem margens onde a lua rompe.
Diz-me adeus antes que para sempre
,não repara o espasmo ostil
preso no êxtase do meu ventre.

O olhar despede mas chama:
Grita, cala, pensa, teme.
E no leito ,o  refrigério clama:
Preto, branco, vento, ruína.
Perpassa, se fixa, treme.
Transpassa a névoa fina
e abarca minha infelicidade.

Surdo, subterrâneo e inexorável rio.
Faz palpitar o coração calado
na penumbra do vazio,
faz-se vivo o desejo alado.
E então derramo meu pranto
no pesar de seu contentamento;
mostrando atento o amor tanto
e abraçando esse meu sofrimento.

Quem sabe a solidão,
fim de quem se ama,
deixarei que morra em mim.
Como na escuridão
que morre ao amanhecer
e nasce inerte no crepúsculo.
Mudo, incompleto e impiedoso amor.
Que lamenta a perda ao fim de tudo.




 ( Jéssica Geovanna )

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