Oco
Olho para os lados mas não te vejo; relembrando as palavras, também não procuro. Há algo encerrado em mim, algo que me faz sentir cada vez mais repleta de vácuo. De coisas que passam à memórias que ficam; andei me escondendo na minha própria mente e agora nem mais de mim consigo gostar, admirar-me tampouco. Não há o que possa surpreender mais do que a força que descubro todos os dias, a cada dia mais. Ultrapassando limites e transpassando espaços. A cada passo que dou é como se as paredes desse labirinto ficassem mais largas, talvez mais altas... não há como identificar. As lágrimas secas não explicam a dor, como também não a distingue da raiva; e secas nada mais podem além do desejo de existir pelo rosto. Que pena! Tão belas são as lágrimas; que nascem na porta da alma, acariciam a pele, e depois, morrem nos lábios. Tornar meus delírios em trajetórias incompreensíveis vem se tornando um hábito saudável. Assumo a culpa, só assim a vida consegue tocar minha tolerância e esquecer a impaciência, aumentando mais mil léguas de caminho não andado.
Percorro os traços do meu colapso e distorço minhas vontades. Pretensões falam bem mais alto que distúrbios, o que torna a ambição em mim , no mínimo, considerável. Quero tudo de uma vez, agora e desse jeito. Preciso liberar todas essas toneladas das costas ,para então recompor o que foi danificado, e inerte é impossível tentar. Foi duro ter de ver o melhor de mim ser rejeitado; e mesmo assim não fui atingida. Ninguém consegue enxergar o que é impossível de se entender. Quem sabe por isso o meu rio interno tenha secado; o que me obriga a pensar em algumas notórias incapacidades. Pode ser extremamente excitante ou absurdamente perigoso, depende de como eu queira jogar.
Extremo, como a cada vez que volto a me bloquear, tenho menos medo do que possa acontecer e mais cautela no que possa fazer. A verdade é que está se tornando um vício; controlar e manipular da forma mais imperceptível possível. Princípios na arte da prática. Adoro o fato de saber não sentir, sem perder o prazer...
Preservar algo que sinto não se trata de sentimentalismo, mas refere-se à noção que tenho de uma incapacidade própria de não conseguir sentir nada ... por ninguém e em momento algum... Relaciona as situações somente ao medo de atribuir-me novamente esse vício repugnante de manipular tudo..
( Jéssica Geovanna )
( Jéssica Geovanna )

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