Rifa-se um coração defeituoso
Me perdi enquanto os olhares se cruzavam; foi imediato e até um pouco ingênuo. Há tempos havia esquecido a vontade de estar assim, tão boba. O anseio pelo encontro nos recompensou na emoção de um sentimento novo. No escuro, palavras caladas com beijos; foi como temi, não vou mais conseguir parar. Dedos entrelaçados, e era como se minhas mãos esperassem pelas tuas ; dessa mesma forma, meus lábios te desejavam.
Era um bicho pequeno, mas tinha sete cabeças. Fitava-te ali, tão completamente quanto uma criança observa o mar; a culpa é das perguntas que me fiz tantas vezes. Não sei por onde anda minha razão; talvez só mais um fato consumado desse coração roubado assim, quase sem querer. Quando dei por mim, a muito já havia me infiltrado no teu mundo... deveras estive à procura de abrigo.
Desapreços desse meu vício de querer-te; e de repente, o céu ficou até mais bonito. Cada segundo sem ti é um segundo a mais de espera, e é por isso que vou lançando aos ventos da tua ausência as palavras de amor que ainda pretendo sussurrar ao pé do teu ouvido. Alguns sonhos, outros planos, todos os gestos. Confesso que não saberei mais sair do seu abraço, nem resistir à um sorriso. Um corpo te chama. Procura-te, mas não sente nada além de arrepios diante do pensar. Quanto tempo demora o ‘’cedo’’ para se converter no ‘’tarde’’? Fico com as lembranças.
Rifam-se algumas palavras, alguns momentos e um coração defeituoso. Desvio-me , se o acaso permitir. Só não encontre meus medos; nem me permita encarar os mesmos fantasmas do silêncio. Diga o que sente apenas por olhar; eu não tenho tanta pressa.
(Jéssica Geovanna )
(Jéssica Geovanna )
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