Teia...
Agora é um pouco mais fácil lidar com a grande teia de mentiras que corrompem meus sentimentos. A cada dia que passa ,vou tornando cada vez mais presente a face da mulher cínica e psicopata. Nunca fui esta, mas agora, as situações me forçam a ser. É como se alguém dentro de mim estivesse cansado de sentir-se enganado e bobo. Resolvi não ignorar, mas encarar tudo com mais flexibilidade que antes. O que acontece com uma alma de mil mulheres (ou mais) quando elas resolvem lutar por si próprias, eu luto por mim. Não dá mais pra virar as costas e chorar. Minha força é mais um dos mistérios que me acompanham. Mistérios muitas vezes geram as surpresas .
Um rumo certo não é o que estou tentando encontrar exatamente; e nem ao menos sei qual seria o meu ‘’rumo certo’’ a ser traçado. Apesar de parecer um tanto emotiva demais para meu gosto, estou bem. Meus murmurros são pacientimente ouvidos pelas paredes, e as agradeço por isso; isto nunca chegou perto de loucura, apenas é preciso escutar o que o vento tem a me dizer , e ele quase sempre me conforta. Então decidi que meu rumo agora seria traçado pelo destino, juntamente com meus esforços para conseguir o que quero. Alcançar meus objetivos presentes para então me preocupar com o futuro, parece até um pouco lógico.
Amor? Não faz parte de minhas prioridades, como espero que nunca mais faça. Ser amada falsamente já me bastou para enterrar um pouco esse interesse. Mudei sim, mas não me tornei amarga. O que me ocorreu foi o seguinte: cansei de ouvir sempre as mesmas mentiras, e então resolvi que não mais as ouviria, nem acreditaria nestas tampouco. O certo é que entre as coisas nas quais nunca se deve confiar estão destacados : os políticos, a sorte e o amor.
Nunca fui perfeita, porém, nunca me senti mais lúcida. Não espero mais que os acontecimentos me atinjam, é até um pouco assustador que eu tenha chegado a esse ponto. Nenhuma raiva ou ressentimento, e assim nada mais me parece importante além das obrigações rotineiras e das pessoas que sinceramente gostam de mim. Mas se me comparo ao meu ‘eu’ anterior , a diferença é bem perceptível , e quase chega a brilhar de tão notável. Seria uma nova versão de mim mesma? Melhor ou pior? As pessoas a minha volta julgariam, mas na minha opinião estou melhor desse jeito, ou pelo menos me sinto assim.
Já juntei os cacos meus que restavam pelo chão. Guardei-os onde ninguém mais poderia achar, onde nem mentiras os pudessem tocar. Enquanto as máscaras caem, observo não me deixando criar expectativas sobre nenhum dos rostos que nelas se escondem. Eu, que sempre esperei demais das pessoas, já não sigo por esse caminho para que as decepções não possam me estragar cada vez mais. Não adianta tentar explicar às pessoas o que elas não entendem. Arriscar-se por coisas (ou pessoas) que obviamente nunca valeram a pena se tornou uma completa tolice; e ser realmente tola outra vez já está fora de cogitação. Afinal, os ganhos de uma atitude assim são basicamente resumidos nas palavras: espera, insegurança e medo. Mesmo havendo uma mínima chance de dar certo, não descarto a chance maior de dar errado; ocorreu inúmeras vezes e por isso paro e penso antes de me arriscar por mera tolice.
(Jéssica Geovanna)
(Jéssica Geovanna)

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