quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


 Sem ação...

 (Jéssica Geovanna)


                                    Novos Passos


                     Recomeçar, este é o caminho. Não quero mais tudo isso ao redor de mim, me perdi antes que pudesse me encontrar e agora mudarei cada peça de lugar. As coisas velhas começaram a acabar comigo e é por isso que estou indo embora. Buscar minha felicidade, mesmo que ela seja momentânea e um tanto ilusória.
 Novos lugares , novas pessoas, novas memórias; assim também descubro quem são os verdadeiros amigos e quem são os amigos que a rotina me impôs. 
                    Com certeza, a vida não tem um objetivo, mas o homem precisa perseguir um sonho, e um sonho só é impossível quando não se é sonhado. Por isso desejo o impossível, mas não posso ficar parada; correrei em busca de meus ideais até tornar-me realidade. Tento dar para os meus heróis e vilões uma dimensionalidade emocional que provê a motivação para as ações deles. Não sou uma completa inútil, ao menos sirvo de mau exemplo.

                  Por trás de um olhar...o céu..o mar...a lua..a estrela. Paisagens que não mostro à pessoas incrédulas.  Ninguém pode ler minha mente, você nunca vai saber o que se passa na minha cabeça; pode até pensar que sabe, mas posso me desviar e vai ficar tudo perdido, de novo. Sabe, andei enganando a solidão, mantendo a casa cheia. Quase nem me reconheço aqui, tentando sorrir o tempo todo e no final, tudo fica na mesma. Afinal, sou vazio e desejo. Ansiedade fora de hora, mudez estranha , olhar perdido, mudanças sem sucesso e olheiras de quem dormiu pouco à noite, cansei. Não preciso mais de ninguém me dizendo o que devo fazer ou quem devo ser, não é questão de me esconder ou fugir, só me ausentar. Hoje não consigo mais lembrar de quantas janelas me atirei, nem de quantos rastros de incompreensão deixei, quantos maus motivos ou quanta desilusão causei... a vida quase nunca é um balão. Será que eu já posso enlouquecer, ou devo apenas disfarçar?

                  Longe de onde tudo começou, como qualquer mulher de sangue quente percebo que tudo não passa de um declínio. Seria fácil demais viver de olhos vendados, sem entender tudo o que vejo. Está ficando difícil ser alguém, mas tudo parece funcionar de forma correta, e isso não é importante pra mim. Deve ser muito excitante assistir o inabalável sofrendo; mas não faz diferença enquanto decidir pôr um fim nos meus deslizes . Como num território não mapeado, devo parecer muito intrigante . Não sobreviverei a menos que fique louca.    





 (Jéssica Geovanna)


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

                 Just Pure Imagination 
( http://histoiresimaginaire.blogspot.com/ )


       Como se não bastassem as reflexões sem sentido jogadas aqui, surge baseada nas realizações textuais uma amiga (Sarah) a ídeia de contar histórias. Para tal feito, criei uma página dependente desta , onde os capítulos de cada história serão listados . Já iniciei--



 Quer ler? Acessa : http://histoiresimaginaire.blogspot.com/






              *Aceito dicas para a próxima história. Então antecipem-se. Bjos

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Je ne suis pas toujours la faute de cette hypocrisie répugnante. Mount ses défenses ou de laisser monter les autres personnes au-dessus de vous.


              Meu abandono nunca foi recíproco. Direciono-me inteiramente à teia de ilusões quebradas que insistem em me matar aos poucos, agora mais cautelosas que antes. São os rasgos no meu peito que continuam sangrando. As migalhas minhas que ontem juntei são as mesmas que hoje deixei cair. Porque quando as paredes desabaram eu estive por baixo ; mas e se agora é diferente, onde estou?

               Não sei. Lágrimas caem tão fáceis sem amparo e até parecem invisíveis, já que nem os contornos transparentes podem ser notados; mas de que importa?! Não tenho chorado pra ninguém ver ou para que pudessem oferecer-me falso auxílio. Sabe, as faces incrédulas da verdade assustam antes de isolar, e por fim acaba por tornar-se a porta de saída para o desejo de ilusão; atitude emergencial. Pois como em sonhos doces, as mentiras que a cabeça inventa envolve todo o resto na esfera sem dor de sabores imaginários.

               Entregues à solidão interna forçada pela incompreensão alheia; é triste ter de declarar-se à sensações torturantes de abandono. Deslocamento total diante de um ciclo torto que não se completa. O egoísmo é o sentimento mais presente na maioria das pessoas ao meu redor, o que me enoja ainda mais. Pessoas que achei se importarem ( pela convivência e não por mim ) mostraram sempre o contrário. Tornar-me apenas parte de rotinas quase sempre monótonas ; e o conformismo nunca fez parte de virtudes. Somente uma palavra pode definir aqueles que buscam desesperadamente por atenção : ridículo. Também já fui ridícula.

              As coisas são bem mais claras quando uma mente inteligente é guiada pelo glamour da loucura; sou dessas. Sou tão simples quanto contar gotas de água no Oceano, basta um pouco de paciência;  e até posso apostar que você leitor também é simples assim. Dane-se todo o resto se temos a nós mesmos! Calma, não se trata de um pensamento egoísta ou coisa parecida, é mais como um raciocínio lógico. Quem poderá encontrar teus refúgios além de ti ? Eis a questão. Se o mundo gira o tempo todo, não permita que lhe deixe para trás. Siga mais forte a cada rotação da Terra, 24 horas já são o bastante para erguer-se. Construa tuas muralhas e não deixe que nada as derrube. A vida são desventuras em série e não só prazeres listados. Sentimentos ruins,  direcionados e exclusivos, não são bem vindos . Estou firme ,mesmo que os fatos corriqueiros dessa minha vida inquieta tentem pôr abaixo minhas muralhas.       



 (Jéssica Geovanna)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

life ponder persone ne peut l

                         Visão duplicada


              Não sei ao certo o que venho buscando por todo esse tempo, isso me incomoda. É como um tiro no escuro, por mais que tente , é quase improvável que atinja o alvo certo. Um dia tudo pareceu mais claro quando na verdade se tornava cada vez mais incolor. O fato é, acabei me perdendo novamente. Sim, até as memórias mais perturbadoras tem rostos, mesmo estando borrados. Estou enlouquecendo aos poucos; pirando mesmo.
           Tenho medo do que poderia ser capaz de fazer quando minha consciência fosse embora; até mesmo por uma única hora. Não sou mais minha, nem isso fui capaz de guardar. Minha loucura real me tornou mais doentia, uma psicopata melhor que tantos outros. Medo? Um aliado da real situação. Já não se trata apenas de mim. Dois em um.
                                                       A luta não pertence a mais ninguém; por isso, intrometer-se seria sacrificar ao próprio sossego. Indescritível  e apavorante; a única saída visível é entregar-me, já que não hà como fugir, já que prefiro tornar safas as pessoas que amo.


 (Jéssica Geovanna)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

                 O retorno insípido da rotina.

        Dias sem emoção são nomeados 'rotina'. As aulas começaram à pouco e já me adaptei aos rostos e aos compromissos novos. Não seria meu real abandono? Sem dúvidas estou bem, mas e o que falta? O que sobra?
       Sou apenas uma criança; e todos nós não passamos de crianças. Sempre tendo que aprender algo e sempre esquecendo as mesmas coisas. É a simples verdade sobre ser maduro; e maturidade não pode ser definida por idade ou tamanho, mas no valor do espírito . Trata-se de unir coisas que sua cabeça lhe revela diariamente ao ser atual. Revelações definidas à partir do conhecimento adquirido  de coisas que você fez e observou.
        Sei que não quero mais ficar aqui parada e sentir quase sempre a mesma coisa. Compartilhar meus segredos com as paredes não é uma opção; é na verdade como uma saída, já que não sei mais em quem posso confiar. O desconhecido ali adiante é tão comum quanto minha interpretações ridicularizadas dos meus sentidos. Amanhã será um novo dia; amanhã serei uma outra pessoa; amanhã terei novas alegrias aliadas a novas aflições...amanhã serei apenas eu novamente.
        São as verdadeiras cores das personalidades maleávelmente alteradas; cada minuto com seu sabor cortante. Desejos em estado de fluorescência são labirintos que me buscam lentamente, atraem meus instintos mais sacanas às Viennas do mês. Tendo em mente a lucidez da minha condição de criança louca, observo com mais atenção e dou passos com mais calma. Mas sei quando a verdade é contada; posso conseguir o que quero ou apenas ficar velha. Embora pareça tão romântico no limite esta noite, permaneço tão adiante de mim que acabei esquecendo do que preciso. Apesar de poder ver quando estou errada, nem sempre vejo se estou certa. Sonho, mas sem a certeza de que todo sonho se realizará. Como todo mundo , tenho minha paixão e meu orgulho; mas será que você não percebe que só os tolos ficam satisfeitos? Tão ruim, mas é a vida que sigo. Tão bom, e é a vida que sigo.



 (Jéssica Geovanna)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

                 Normalidade inconsciente...


       Dias de chuva me atraem; ouvir o som das gotas d'água caindo ligeiras no asfalto...relaxante. É olhando pro nada entre a água e a casa do vizinho da frente que traço uma linha de pensamentos fúteis que aos poucos me levam à conclusões racionais. Não é sofrer por alguém do passado, nem magoar-me novamente com dores recentes, é apenas observar.
       Se a emoção tocar minha loucura, por um momento esquecerei todas as normas e todos os olhares. Sairei na rua sem carregar nenhum vestígio de sensatez,  preocupando-me apenas com as roupas devidamente  molhadas sobre meu corpo. Nada mais poderá me atingir!
        Enquanto as gotas se alinham aos traços do meu rosto, jogo para o alto tudo que pensei me ser útil e que no fim provou não ter valor algum. Como se cada momento se resumisse em olhar e sentir. Depois de enfim apreciar mais alguns minutos da loucura em seu estado de pureza absoluta, volto ao abrigo. Cada passo que dei rumo ao interior de minha casa foi marcado.
       Eis a sensação de alívio para que então a madrugada venha me preencher com segredos; meus segredos. Quando palavras não encontram frases e assumem o valor de silêncio. A dúvida surge diante da minha localização entre os segredos que não consigo contar e os sonhos confusos de mais uma noite. Não importa; estou aqui e agora. 
       Mas o que é o 'presente', se mesmo as palavras que digo agora caem translúcidas no passado? Confuso ,porém questionável. E novamente não importa, continuarei fazendo tudo errado e revivendo a idéia de que me tornei uma grande interrogação. Estou feliz diante do falso.



 (Jéssica Geovanna)