sábado, 5 de março de 2011

                                                 Noites

         A noite é sua presença. Lá fora, a lua e as estrelas seguram à noite sobre a copa das árvores, sobre as casas ou qualquer pessoa que ainda esteja acordada andando pelas ruas. Aqui; a noite é uma cama de madeira, lençóis cor-de-rosa e um bloco de papel rabiscado. Meu quarto é o abrigo onde posso existir sozinha e sem segredos. Aqui; a noite é o som quase silencioso do tic-tac do relógio na parede.
       Tempo branco desce o âmago dessa cela. Debruça-te para o interior do meu vazio, não verás nenhum rosto, nenhum gesto inútil, nenhuma melodia, nenhum desejo – pois desejos precisam de rostos--. Dormência momentânea que atraiu a madrugada e o sono.
        Quando devidamente despejadas no papel, as palavras descansam e sou obrigada a acompanhá-las. A noite não precisa de motivos , tampouco de indecisões; e por ser assim tão natural , a escuridão serve como o imã que atrai a alma dos poetas.
    

 (Jéssica Geovanna)

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