Epitáfio
Além do céu, além do inferno .
Cravo meu epitáfio no peito do destino
Simples, vago, fruto eterno.
Tragicamente em seu conto fino,
da rotina onde se traça o rubro inferno
preso entre as feridas dos sonhos
Tamanhos, porém corroídos,
Fracos , breves e assim tristonhos.
Mas sonhos são externos.
O tempo nos aproxima,
e em seu ato , nos reduz
a um último poema de uma só rima.
De mãos e olhos, na luz
da flor de lis e versos .
Sina longa que conduz
a esse âmago de presságios perversos.
Ontem , Hoje e Amanhã.
Apenas mentiras de calendário
que apesar de você, se renovam
e criam a cada hora um novo cenário.
Versos mudos que emergem em mim
e buscam no silêncio seu complemento.
Vazio que pernumbra a sorte;
cala o poeta que escuta atento
e o condena à uma única morte.
À ouvidos surdos, poesias tem fim
na esperança de seu acalento.
Descrevo então a minha lápide:
Na solidão do que se passa
que viria ofertar-me
quando a noite já vai fria.
Então irreversível faça
a rosa preta, tão sombria
que me aspira, expirante, afundo
e não se estreita ao sentimento do mundo.
Amanhã, nunca mais.
